Rodrigo Travitzki, 09/07/2010

Essa semana estranhei o Roda Viva com o reitor da USP (o primeiro da história que foi escolhido pelo governador e não pela comunidade universitária). Um mar de rosas, sem grandes polêmicas ou perguntas embaraçosas, nada que se parecesse com um legítimo Roda Viva. Pensei “deve ser problema meu, estou muito crítico”.

Depois vi que o Heródoto ia ser substituído pela Marília Gabriela. Estranho. Agora tudo ficou mais claro. E infelizmente, muito mais escuro.

O único reduto minimamente independente de jornalismo televisivo está seriamente ameaçado por José Serra. É o que diz Luis Nassif:

Pedágio derruba mais um jornalista da TV Cultura

“Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.

Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.

Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.

Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.

Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.

Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.” Nassif

Para engrossar o caldo, Paulo Henrique Amorim diz no seu site que Serra ligou duas vezes para a Record pedindo sua cabeça.

Se você quiser saber melhor a estória mal contada do pedágio tucano clique aqui.